Debaixo do braço ou dentro de mim

A noite já ia tarde quando comecei a sonhar. Talvez fosse o dia que amanhecia quando lembrei do sonho, não sei bem.

Eu visitava o colégio onde estudei. Passeava me equilibrando em linhas que davam forma à quadra de futebol do pátio principal. Tocava paredes que pareciam as de meu quarto, tamanha intimidade que tinha com elas.

Era hora do recreio e o pátio estava cheio, mas não muito. Eu passava cumprimentando as pessoas, como se chegasse de uma longa viagem. Apesar de não ver os rostos, me lembro da sensação; o calor melancólico do retorno.

Eu estava em casa.
E você estava lá.

Te coloquei - com rosto e braços - nesse contexto que nunca foi seu, para você me dar um abraço de mil anos atrás.

Acho que isso é saudade.
Ou nostalgia, vai saber?

Mas você estava lá e eu te trouxe pro meu dia.