Minha Ipiranga e a avenida São João


Faz um tempo que não te vejo. Espero esse momento chegar. Penso aonde pode ser, se você vai estar só, se dessa vez vai levantar o rosto, me olhar nos olhos e acenar com um tímido sorriso; daquele jeito, como fez um dia e acostumou-me mal.

Enquanto meu coração com olhos de lince te vê distante e entra em descompasso, você parece nem me notar. Sempre com companhia, num corredor bege, nada propício, e a cabeça virada não sei para onde, você resiste; você existe.

Olho tanto quanto posso, insisto num aceno que não chega. Me contento, então, em admirar sua boca articulando palavras absolutamente supérfulas em relação ao processo que está ocorrendo dentro de mim.

Arranjo um motivo qualquer para ficar no mesmo ambiente que você; quem sabe sua atenção se volte para mim? De qualquer forma, posso admirar-te por mais alguns segundos, antes que alguém me chame e eu tenha que ir para longe, totalmente contrariada.

Talvez você também sinta em seu corpo um processo parecido com o que se passa no meu, só com reações diferentes. Talvez você esteja se escondendo atrás de sua mais tímida máscara. Mas pode ser também que se trate do mais verdadeiro desinteresse de sua parte.

Não sei, queria saber.

Queria que você soubesse. Para que, ao invés de insistir nesse difícil começo, afastando-se do que não conhece, se rendesse à deselegância discreta dessa menina.

Queria só que você soubesse que alguma coisa acontece no meu coração...

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