Tem dias que acordo pra não ser.
É como se não acordasse.
Fico mais aérea, menos racional; com um pé no mundo, outro na lua.
As decisões mais triviais são encobertas por um invólucro nebuloso e acabo arriscando-me em impulsos infantis, sem muito (con)tato com real.
Minha ausência em mim, me embala como o movimento do mar; me traz o silêncio anestésico da submersão.
O infortúnio é saber que meus impulsos se direcionam ao descuido, ao descaso.
No dia seguinte, a vassoura em terra firme se faz necessária para reparar os danos causados em alto mar.
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