Geralmente começa de olhos fechados, assim mesmo como num sonho. Sonho este que, num vai e vem, os movimentos se atraem, se completam. Os quereres são múltiplos. As vontades, infinitas.Quando restritos, a dois, de frente para (e contra) o outro, qualquer movimento parece mais difícil, mais complexo. Os esforços passam a ser múltiplos. As vontades tendem ao desânimo. E, no entanto, a busca do encaixe perfeito, do acolhimento e do conforto - um dia sentidos de olhos fechados -, se sobrepõe ao desconforto dos olhos, por nós vendados, ainda sonhando com que o poderia ser.
A percepção do outro, tal como é, e a realidade nua e crua de cada um acabam trazendo as marcas propositais (ou não) da dor; os roxos nos corpos. Até que os desencaixes e desconfortos tomam conta. Mas já é tarde demais. O relacionamento, estabelecido como a terceira parte (e de peso fundamental) na relação, segura pontas de colchões e sustenta golpes, receios e insatisfações.
Os desencontros perdem para argumentos de qualquer uma das partes que lutam, alternadamente, por aquilo que um dia ambos julgaram importante. E quando o importante cede ao cansaço, o relacionamento, entidade que é, se responsabiliza pelos últimos e insistentes impulsos (quase nunca suficientes) ao casal já desesperançoso da caminhada.
Entre quedas e resgates, rasteiras e colos e com a confiança e equilíbrio abalados, de um relacionamento de amor e contradições, resta o carinho. O carinho maternal que une tudo aquilo que o amor carnal não conseguiu. Não ao menos até o fim.
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