A menina

Tinha seis anos, olhos cheios de sonhos, imaginação de criança.
Outro dia, veio correndo para mim com as mãos juntas, apertadas como se não pudesse deixar escapar um tesouro e disse:
- Toma aqui, é pra você! - abriu cuidadosamente uma fresta das mãos, me oferecendo-as. Vazias. 
Percebendo minha surpresa, se antecipou:
- Era para ser um pouquinho de rio, mas escorreu pelos meus dedos no caminho.
- Obrigada - respondi -, estava mesmo com saudade de água.

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